TERESINA - Subiu para seis o número de mortos após o desabamento de uma barragem na região de Algodões 1, no município de Cocal, Piauí. O sexto corpo resgatado é de Maria Andreina Pereira, uma criança de seis anos, e foi encontrado na localidade de Franco. Sete pessoas já foram localizadas com vida e três seguem desaparecidas. As buscas foram encerradas na noite desta sexta e vão ser retomadas no início do sábado.

O quinto corpo foi encontrado por volta das 6h desta sexta-feira e é de José Francisco Alves dos Santos, de 36 anos, morador da comunidade Angico Branco, para onde o corpo deve ser levado.
Na quinta-feira, a Polícia Militar confirmou a morte de quatro pessoas na área atingida pelo rompimento. Uma das vítimas é uma senhora da comunidade Boíba. Foram anunciadas também as mortes de um senhor na faixa dos 60 anos, de uma adolescente de 14 anos, e da menina Maria Francisca, de 12 anos.
De acordo com dados da Defesa Civil do Estado, já são 953 os desalojados, há 2 mil desabrigados e 80 feridos leves. No total, 2.953 famílias foram afetadas e 120 casas destruídas. Foram disponibilizados dez abrigos para as vítimas.
Nesta sexta, foi anunciada pelo governo a liberação de R$ 750 mil para a região afetada pelo rompimento da barragem.
Rompimento

De acordo com o governo do Estado, na tarde desta quarta-feira, dez milhões de metros cúbicos de água escaparam instantaneamente por um rombo de quatro metros na parede da barragem, originando uma onda devastadora com dez metros de altura. Outros 40 milhões de metros cúbicos escorreram devagar pela abertura, que aumentou para 50 metros.
O diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (Idepi), Norbelino Lira de Carvalho, disse que o rompimento de Algodões 1 aconteceu após uma chuva de 106mm durante 4 horas na região da represa. “Acontece uma chuva dessa intensidade sobre uma barragem já fragilizada e em recuperação, em época atípica, quando não costuma mais chover nessa região. Além disso, choveu muito no Ceará, onde está a nascente do Pirangi. Posso dizer que foi um acidente da natureza”, afirmou.
A cidade de Cocal está sem energia elétrica desde as 20h desta quarta-feira, sendo que a Companhia Energética do Piauí (Cepisa) cortou a luz, considerando que dezenas de postes foram carregados pelas águas. A previsão é de que o serviço seja reestabelecido no sábado.
A empresa Água e Esgotos do Piauí S/A (Agespisa) enviou água potável para a região e, para garantir que o abastecimento na cidade continue, instalou dois geradores por causa do corte no fornecimento de eletricidade.
O sinal de telefonia celular foi restabelecido no local por uma operadora. Em caráter emergencial, dez escolas e ginásios de esportes já estão funcionando como abrigos provisórios.
“Foi um verdadeiro tsunami”, reconheceu o governador do Estado, Wellington Dias, depois de sobrevoar a área.
Cerca de 2,5 mil famílias tinham sido retiradas do local por precaução, e retornaram na última semana por determinação do engenheiro responsável pela obra, Luís Hernane de Carvalho.
O procurador da República Kelston Lages informou que o Ministério Público Federal está colhendo informações sobre o caso. O Ministério Público do Estado também avalia se a responsabilidade pelo rompimento da barragem é do engenheiro ou do Estado.
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